domingo, 1 de outubro de 2023

Pensamento Computacional: Desvendando a Demanda na Educação Atual

Por Evaldo Sant Ana de Almeida


Resumo


Este artigo busca apresentar o Pensamento Computacional como uma abordagem derivada da ciência da computação, mas distinta dela. Explorando conceitos fundamentais da computação, destacamos a

demanda natural dos profissionais que lidam com programação. Analisamos a necessidade de abstração,
visão analítica dos problemas e a habilidade de reescrevê-los de forma clara. Essa abordagem, centrada na decomposição e estruturação lógica das soluções, representa o cerne do Pensamento Computacional. Discutimos os pilares dessa metodologia e suas aplicações educacionais, bem como as vantagens consideráveis de sua utilização, levando em conta as demandas da educação contemporânea. Finalmente, sugerimos a continuidade da pesquisa, buscando a percepção dos docentes sobre a aplicabilidade dessa abordagem em suas áreas específicas.

Para começo de conversa

Os computadores eletrônicos se tornaram parte integrante de nosso cotidiano, no trabalho, comunicação profissional, entretenimento e muito mais. Apesar de estarem historicamente presentes na educação, seja como produto de processos educacionais ou como recurso educacional, a plena integração dessas tecnologias nas salas de aula pelo país não reflete a convivência que poderíamos esperar.

Os computadores são máquinas que executam instruções, ou seja, programas. Esses programas são escritos em linguagens específicas e altamente elaboradas. Portanto, os computadores são artefatos que refletem a genialidade e a inteligência humanas, realizando cálculos e outras atividades que substituem as ações humanas em muitos aspectos. A estruturação das instruções fornecidas a um computador, por meio de linguagens específicas, é uma maneira viável de estruturar o próprio processo de aquisição de conhecimento. De maneira superficial, é isso que representa o chamado pensamento computacional.
Neste artigo, por meio de uma revisão bibliográfica qualitativa, relacionamos os conceitos básicos da computação ao campo educacional, focando no pensamento computacional. Começamos com a definição de "computador", seguida por "cálculo", "linguagem de programação" e "algoritmo". Em seguida, exploramos o conceito de pensamento computacional, seus pilares e suas aplicações educacionais, além de discutir as implicações e habilidades derivadas dessa abordagem. Por fim, sugerimos futuras pesquisas na área, levantando a visão dos docentes sobre a utilização do pensamento computacional em suas atividades.

Conceitos Fundamentais

Computador
O termo "computador" refere-se a um "aparelho eletrônico capaz de efetuar operações importantes, como operações lógicas e matemáticas, sem intervenção de um operador humano durante seu funcionamento" (Dicionário prático da língua portuguesa, 1995, p. 219). Essa definição destaca a necessidade de instruções precisas para processamento, onde os comandos são previamente fornecidos e a máquina os executa de forma autônoma.

Cálculo

O termo "cálculo" remete à prática original de contar com pedrinhas, representando uma unidade. Era uma forma concreta de representar quantidades. Essas "pedrinhas" eram símbolos quantitativos, uma maneira tangível de representar uma unidade. De qualquer forma, uma pedrinha era um símbolo claro de presença, uma unidade.


Linguagem de Programação

Os computadores lidam com informações em níveis diferentes e, por serem máquinas, não compreendem a linguagem humana. Eles operam com impulsos elétricos que representam a presença ou ausência de informações, interpretados como números. As linguagens de programação, inicialmente, eram códigos matemáticos, evoluindo a partir da lógica matemática para resolver problemas específicos (Bertolini et al., 2019). Essas linguagens são abstrações de conceitos matemáticos, essenciais para transmitir instruções claras à máquina.

Algoritmo

Um algoritmo é uma sequência de ações ou passos para resolver um roblema, com um conjunto de instruções usando comandos simbólicos (Liukas, 2015). Na prática, um programa de computador é uma série de instruções struturadas que permitem que uma máquina eletrônica realize um trabalho específico. Essa capacidade de abstração é fundamental no pensamento computacional, exigindo habilidade crítica e analítica.

O Pensamento Computacional

O Conceito
O pensamento computacional está associado não apenas à programação de computadores, mas também à resolução de problemas, ao design de sistemas e à compreensão do comportamento humano (Balanskat & Engelhardt, 2015). Embora não seja ciência da computação, está inserido nesse campo, influenciando a forma como os cientistas da computação pensam e estruturam problemas para solução por meio de computadores.
Essa abordagem lógica e analítica é a base do pensamento computacional. Envolve a habilidade de abstração, simplificando e decompondo conceitos complexos para solução de problemas. Portanto, o pensamento computacional é uma postura cognitiva relacionada à forma como os profissionais da computação pensam e abordam problemas.

Pilares do Pensamento Computacional

O pensamento computacional é fundamentado em quatro pilares: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmo. Esses fundamentos implicam em quebrar o problema em partes menores e mais simples, visualizar padrões, simplificar conceitos e criar um passo a passo para a solução (BBC Bitesize website, 2022). Essa abordagem não depende exclusivamente de um computador, sendo aplicável em diversos contextos.

Aplicações e Implicações do Pensamento Computacional

O pensamento computacional oferece habilidades valiosas quando aplicado. Entre elas, destacamos habilidades socioemocionais, linguagem e comunicação e a capacidade de decompor problemas (Artecona et al., 2015). Essas habilidades estão diretamente relacionadas ao uso inteligente das novas tecnologias, permitindo que os indivíduos compreendam e usem os recursos eletrônicos de forma eficaz.

Grover e Pea (2013) mencionam cinco habilidades essenciais associadas ao pensamento computacional: abstração e reconhecimento de padrões, processamento sistemático da informação, sistema de símbolos e representações, decomposição de problemas e lógica condicional. Essas habilidades são fundamentais para compreender e tirar o melhor proveito dos recursos computacionais eletrônicos.
Essas habilidades são cruciais na era das tecnologias da informação e comunicação, permitindo que as pessoas desenvolvam capacidades necessárias para utilizar efetivamente esses recursos e compreender sua lógica de funcionamento.

Finalmente

O Pensamento Computacional representa uma abordagem valiosa para a educação contemporânea, preparando os cidadãos para as novas tecnologias. Embora ainda haja desafios na integração dessa abordagem na educação formal, é essencial capacitar os professores para aproveitar seu potencial como estratégia de ensino. Sugere-se continuar a pesquisa, buscando a perspectiva dos docentes sobre a utilização do Pensamento Computacional em suas atividades educacionais, para moldar e aprimorar essa abordagem de forma eficaz.

Referências Bibliográficas

Artecona, F., Bonetti, E., Darino, C., Mello, F., Rosá, M., & Scópise, M. (2015). Pensamiento computacional un aporte para la educación de hoy. Montevideo: Gurises Unidos. Balanskat, A., & Engelhardt, K. (2015). Computing our future. Brussels: European Schoolnet. Bertolini, C., Parreira, F. J., Cunha, G. B. da, & Macedo, R. T. (2019). Linguagem de programação I. Recuperado de http://repositorio.ufsm.br/handle/1/18352 Grover, S., & Pea, R. (2013). Computational Thinking in K–12: A Review of the State of the Field. Educational Researcher, 42(1), 38–43. https://doi.org/10.3102/0013189X12463051 Liukas, L. (2015). Hello Ruby: Adventures in coding. New York: Feiwel and Friends. Nascentes, A. (1955). Dicionário etimológico da língua portugêsa. Rio de Janeiro. Rodriguez, C., Zem-Lopes, A. M., Marques, L., & Isotani, S. (2015). Pensamento Computacional: Transformando ideias em jogos digitais usando o Scratch. Anais do Workshop de Informática na Escola, 21(1), 62–71. https://doi.org/10.5753/cbie.wie.2015.62 What is computational thinking? - Introduction to computational thinking - KS3 Computer Science Revision. ([s.d.]). Recuperado 12 de junho de 2022, de BBC Bitesize website: https://www.bbc.co.uk/bitesize/guides/zp92mp3/revision/1 Wing, J. (2016). Pensamento computacional. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, 9(2). https://doi.org/10.3895/rbect.v9n2.4711 Imagens sugeridas: Ilustração de uma máquina abstrata, representando o conceito de computador. Padrões geométricos simbolizando o reconhecimento de padrões no Pensamento Computacional. Ícones abstratos representando abstração e decomposição de problemas. Algoritmo: Fluxograma visual mostrando a sequência de passos na resolução de um problema. Professor com alunos em sala de aula, destacando a aplicação do Pensamento Computacional na educação.


sábado, 30 de setembro de 2023

O Pensamento Computacional na Educação

Este texto pretende apresentar de forma simplificada o que é o Pensamento computacional. Sem tratar dos pormenores que consistem na riqueza da abordagem, a intenção é apenas notar que a BNCC contempla aspectos da aprendizagem que estão perfeitamente alinhadas com esta abordagem.



O Pensamento computacional na BNCC

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece diretrizes educacionais importantes para a formação dos estudantes no Brasil. Dentre as competências gerais, destaca-se a habilidade de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica e ética, resolvendo problemas e exercendo protagonismo na vida pessoal e coletiva (Brasil, 2018, p. 9). Essa perspectiva ressalta a importância do Pensamento Computacional, uma competência-chave que vai além da matemática e está intrinsecamente ligada à ciência da computação (Paiva, 2022).

Crianças e computadores

O Pensamento Computacional, inicialmente proposto por Seymour Papert, relaciona-se à capacidade de sistematizar e ordenar conhecimento, representando-o em formato computável (Pasqual Júnior, 2020). Jeannet Wing ampliou essa ideia, argumentando que essa competência é crucial não apenas para os profissionais de computação, mas para todos, pois envolve a resolução de problemas, o design de sistemas e a compreensão do comportamento humano (Wing, 2006, p. 1).


Fundamentos do Pensamento computacional

Para compreender melhor o Pensamento Computacional, Wing (2006) o estrutura em quatro elementos fundamentais: decomposição, identificação de padrões, abstração e algoritmo. Esses elementos fornecem uma visão abrangente de como essa habilidade pode ser aplicada para resolver problemas cotidianos, indo além da mera programação de computadores.


Pensamento computacional sem computador?

No contexto educacional, a Computação Desplugada emerge como uma solução para superar as barreiras tecnológicas. Como destaca Paiva (2022, p. 8), essa abordagem torna o ensino de Pensamento Computacional acessível a todos, requerendo apenas criatividade e boa vontade. É possível ensinar essa competência por meio de atividades com lápis e papel, jogos e recursos de programação em blocos, sem depender estritamente de dispositivos tecnológicos (Pasqual Júnior, 2020, p. 56). Apesar do avanço nessa área, é evidente a necessidade de mais pesquisas empíricas, especialmente no contexto escolar primário, para explorar o potencial da computação desplugada no desenvolvimento do Pensamento Computacional (Brackmann, 2017).


A inclusão do Pensamento Computacional na BNCC representa um passo fundamental para a formação de indivíduos aptos a enfrentar os desafios do mundo moderno, alinhando-se ao desenvolvimento tecnológico e à busca por soluções criativas e éticas para os problemas contemporâneos. Nesse sentido, educadores e pesquisadores têm um papel vital em promover estratégias que permitam a ampla assimilação dessa competência, alinhada a um ensino inclusivo e acessível.


Referências Bibliográficas:

Brackmann, C. R. (2017). Pensamento Computacional na Educação Básica: Uma Revisão Sistemática. Disponível em: [https://doi.org/10.5753/cbie.wcbie.2017.982.].

Brasil. (2018). Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: [http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase]/.

Paiva, S. do R. de. (2022). Guia de Implementação de Pensamento Computacional para o ensino básico. Editora ciência moderna.

Pasqual Júnior, V. (2020). Pensamento Computacional na Educação: Abordagens e Aplicações. Disponível em: [Inserir aqui o link da referência].

Wing, J. (2006). Computational Thinking. Communications of the ACM, 49(3), 33-35. Disponível em: [https://doi.org/10.1145/1118178.1118215.].






sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Filosofia para crianças


Filosofia para Crianças: Fomentando o Pensamento Crítico desde a Infância

Falar de filosofia para crianças é introduzir um mundo fascinante de desenvolvimento intelectual, e é impossível começar essa conversa sem mencionar Matthew Lipman, o criador desse inovador programa educacional. Matthew Lipman, um filósofo americano profundamente influenciado pelo pensamento de John Dewey, iniciou esse projeto enquanto era professor universitário e do ensino secundário. Ele percebeu a necessidade de introduzir o pensamento sistemático e de alto nível desde cedo, o que o levou a usar histórias e novelas como ferramenta pedagógica.

Nos anos 1970, com a colaboração da professora Ann Margareth Sharp, surgiram as primeiras novelas, como "Ari dos Teles", "Lisa", "Suki e Mark". Este período também marcou a fundação do "Institute for the Advancement of Philosophy for Children - IAPC" em 1974, apoiado pelo Montclair State College.


Para incluir crianças a partir de 6 anos nos primeiros anos do Ensino Fundamental, Lipman desenvolveu novelas específicas para essa faixa etária, como "Elfie", "Issao", "Guga", "Pimpa" e "Nous", faixa etária à qual vamos nos ater, pois o programa é muito mais amplo.

Novelas Filosóficas e Manuais

Elfie
Ano de Publicação: 1988
Idade: 5-6 anos
Série Escolar: Pré-escola
Temas: Comunidade de investigação filosófica
Manual: Colocando juntos nossos pensamentos


Issao e Guga
Ano de Publicação: 1982/86
Idade: 7-8 anos
Série Escolar: 1ª e 2ª séries
Temas: Filosofia da natureza
Manual: Maravilhando-se com o mundo


Pimpa
Ano de Publicação: 1981
Idade: 9-10 anos
Série Escolar: 3ª e 4ª séries
Temas: Filosofia da linguagem/ontologia
Manual: Em busca do sentido


Nous
Ano de Publicação: 1996
Idade: 11-12 anos
Série Escolar: 3ª e 4ª séries
Temas: Formação ética


Manual: Decidindo o que fazer
Essas novelas foram desenvolvidas considerando as habilidades cognitivas necessárias para cada faixa etária, promovendo o pensamento crítico, a investigação, a formação de conceitos e a tradução das ideias.


Desenvolvendo Habilidades Cognitivas
As habilidades cognitivas fundamentais propostas por Lipman no programa Filosofia para Crianças incluem:


Raciocínio
Tornar preciso o que se mostra vago e ambíguo
Traçar inferências e raciocinar por analogia
Universalizar e distinguir verdade de validade


Questionamento e Investigação
Dar e pedir boas razões
Formar e confrontar hipóteses
Levantar questões e problematizar


Formação de Conceitos
Estabelecer relações e traçar distinções
Definir conceitos filosóficos como Experiências, Poder, Bem, Razão, entre outros


Tradução
Ser sensível à dimensão afetiva
Ser empático e dialogar
Propiciar confiança e não bloquear a investigação

Essas habilidades não apenas enriquecem a vida cotidiana, mas também estão alinhadas com as competências gerais do Ensino Fundamental na BNCC, promovendo o julgamento crítico, a crítica e o autoconhecimento.

A Comunidade de Investigação
A Comunidade de Investigação é a espinha dorsal do programa, promovendo um ambiente de cooperação em sala de aula. Caracteriza-se por deliberações não adversariais, cognições compartilhadas, leitura profunda e o prazer em textos dialógicos. A essência é substituir a competição pela cooperação, estimulando a cognição compartilhada.


O Pensamento de Ordem Superior
Matthew Lipman define três características para o pensamento de ordem superior: riqueza conceitual, organização coerente e persistência exploratória. Este tipo de pensamento inclui, mas não é idêntico ao pensamento crítico, e é essencial para o desenvolvimento intelectual e o julgamento assertivo e criativo.

O programa de Filosofia para Crianças não só enriquece as habilidades intelectuais das crianças, mas também proporciona uma abordagem educacional que prepara as futuras gerações para pensarem de forma crítica e ética.

Português:

  • Filosofia na Escola

    • Este site brasileiro oferece materiais e ideias para incorporar a filosofia na educação básica. Contém atividades e estratégias para envolver as crianças no pensamento filosófico.
    • Filosofia na Escola
  • Portal do Professor - Filosofia para Crianças
  • Inglês:

    Philosophy for Kids
    • Este site oferece recursos e atividades projetados especificamente para introduzir conceitos filosóficos para crianças de uma forma divertida e interativa.
    • Philosophy for Kids
    P4C - Philosophy for Children
    • P4C é uma organização internacional que se dedica a promover a filosofia para crianças. Seu site oferece recursos e informações valiosas sobre essa abordagem educacional.
    • P4C - Philosophy for Children

    Espanhol:

    Filosofía para Niños
    • Este site oferece uma introdução à filosofia para crianças, incluindo materiais educacionais e informações sobre como implementar a filosofia na educação infantil.
    • Filosofía para Niños
    Aprender a Pensar - Filosofía para Niños
    • Aprender a Pensar é uma organização que promove a filosofia para crianças em vários países de língua espanhola. Seu site oferece recursos e informações sobre a implementação dessa abordagem na educação infantil.
    • Aprender a Pensar - Filosofía para Niños

    quinta-feira, 28 de setembro de 2023

    Sala de Aula Invertida: Transformando o Ensino Tradicional


    Sala de Aula Invertida

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    A Sala de Aula Invertida é uma metodologia ativa que vem ganhando espaço no campo educacional, representando uma abordagem inovadora para o processo de ensino-aprendizagem. Neste artigo, exploraremos essa metodologia, abordando sua definição, seus requisitos para implementação e os desafios que apresenta aos professores. Além disso, discutiremos como a Sala de Aula Invertida pode ser uma oportunidade de transformação no ensino tradicional.


    O Conceito da Sala de Aula Invertida

    A Sala de Aula Invertida redefine o tradicional modelo de ensino, alterando tanto o tempo quanto o espaço das atividades de aprendizagem. Nessa abordagem, o primeiro contato com novos conceitos ocorre individualmente, fora da sala de aula, por meio de material estruturado, como vídeos. O tempo em sala de aula é então dedicado à aplicação, síntese e criatividade, com a orientação ativa do professor.



    Requisitos Essenciais



    Para implementar a Sala de Aula Invertida, é fundamental que o docente crie material claro, desafiador e de qualidade, que possibilite aos alunos uma compreensão aprofundada do conteúdo. Além disso, a capacidade de utilizar eficazmente as tecnologias disponíveis e a criação de variedade instrumental de avaliação são requisitos essenciais para o sucesso dessa abordagem.


    Desafios para os Docentes

    A implementação da Sala de Aula Invertida traz consigo desafios significativos para os professores. Além da necessidade de sensibilização para perceber o potencial transformador dessa metodologia, os docentes devem adquirir habilidades técnicas para criar e curar materiais de ensino, como vídeos, podcasts e infográficos, além de desenvolver instrumentos de avaliação adaptados a essa nova abordagem.

    Considerações Finais

    A Sala de Aula Invertida oferece uma oportunidade valiosa de transformação no ensino, possibilitando uma maior interação entre professores e alunos, promovendo a compreensão aprofundada dos conceitos e estimulando a criatividade. No entanto, essa transformação demanda esforço, aprendizado contínuo e a compreensão da importância da capacitação técnica e da sensibilização para o potencial transformador da metodologia.

    Este artigo explorou a Sala de Aula Invertida, uma metodologia que desafia os métodos tradicionais de ensino, incentivando uma aprendizagem mais ativa e participativa. Ao considerar os requisitos e desafios, os educadores podem efetivamente implementar essa abordagem inovadora, promovendo uma educação mais envolvente e eficaz para os alunos.


    Referências Bibliográficas

    Bergmann, J., & Sams, A. (2019). Sala de aula invertida: Uma metodologia ativa de aprendizagem (1o ed). LTC.

    Buesa, N. Y. (2023). A sala de aula invertida ou flipped classroom ([e-book]). Must University.

    Campos, R., & Junior, C. F. D. A. (2020, dezembro 16). O tutor youtuber e o uso da sala de aula invertida na promoção da autonomia dos estudantes na modalidade EAD. Apresentações Trabalhos Científicos. 26o CIAED Congresso Internacional ABED de Educação a Distância. https://doi.org/10.17143/ciaed.XXVICIAED.2020.52928

    Mattar, J. (2017). Metodologias ativas para educação presencial, blended e a distância (1o ed). Artesanato Educacional.

    Rimkus, C. M. F. (2020, dezembro 17). Sala de aula invertida: Relato de uma experiência. Apresentações Trabalhos Científicos. 26o CIAED Congresso Internacional ABED de Educação a Distância. https://doi.org/10.17143/ciaed.XXVICIAED.2020.52295

    Talbert, R. (2019). Guia para utilização da aprendizagem invertida no ensino superior (1o ed). Penso.


    quarta-feira, 12 de julho de 2023

    O Papel da Inteligência Artificial na Educação: Uma Análise Histórica e Perspectivas Futuras



    IA - Uma ponte social?

    A Inteligência Artificial (IA) é um campo multidisciplinar que tem despertado grande interesse e vem sendo amplamente discutido nas áreas acadêmicas e tecnológicas. Neste artigo, iremos explorar a conexão entre a IA e a educação, destacando sua relevância social e as possibilidades que essa integração traz para as discussões contemporâneas.

    Um Breve Histórico da IA

    A história da IA remonta às tentativas de reproduzir artificialmente as redes neurais humanas. Esse campo de pesquisa ganhou impulso na década de 1950, com a conferência de Dartmouth, marcada pela apresentação do primeiro programa de IA. A abordagem cognitivista, que busca replicar as operações associativas entre símbolos na mente humana, foi adotada como o paradigma mais próximo da inteligência humana. Embora os avanços na IA sejam significativos, é importante considerar as limitações técnicas e filosóficas que ainda precisam ser superadas para alcançar uma inteligência comparável à humana.

    A Inteligência Artificial na Educação

    Os AVAs podem incorporar recursos de gamificação e interfaces interativas, identificando áreas de maior interesse e propondo caminhos mais produtivos para o aprendizado. O planejamento cuidadoso do processo de ensino e o desenvolvimento de recursos adequados são fundamentais para a efetividade da IA na educação. Também tem encontrado aplicações diretas na área da educação, especialmente no contexto da Educação a Distância (EAD). Com o uso de sistemas inteligentes e ferramentas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), a IA contribui para a personalização do ensino e a oferta de atividades de reforço com base na análise de padrões de comportamento dos estudantes.

    Perspectivas

    Embora haja desafios a serem enfrentados, a IA oferece perspectivas empolgantes para o futuro da educação. À medida que exploramos e aproveitamos o potencial da IA, devemos considerar cuidadosamente sua integração, buscando sempre garantir uma abordagem equilibrada que beneficie a todos os envolvidos no processo educacional. Além das aplicações atuais, existem perspectivas promissoras para a IA na educação. A integração de tecnologias como o Processamento de Linguagem Natural (PLN), a afetividade e as interfaces 3D pode proporcionar uma quebra de paradigma nos ambientes virtuais de aprendizagem. No entanto, essa transformação ainda é um desafio a ser superado.

    O Que Temos Agora?


    Recentemente, a empresa OpenAI lançou o Chat-GPT, um aplicativo de IA de fácil acesso e uso. Esse avanço tem gerado discussões acaloradas nas redes sociais e mostra o potencial da IA para interações conversacionais diretas. Um exemplo bem-sucedido de integração da IA na educação é a plataforma Duolingo, que utiliza a IA para aprimorar o ensino de idiomas. A plataforma combina o trabalho de especialistas em aprendizagem com recursos de IA para criar cursos interativos e personalizados. Embora seja uma empresa lucrativa, o Duolingo oferece acesso gratuito a milhões de estudantes.
    Pois bem, a IA continua sendo um tema instigante, especialmente quando se trata de sua aplicação na educação como um todo. Contudo, é na integração da IA na EAD tem o potencial de melhorar a qualidade e efetividade do ensino, proporcionando oportunidades de aprendizagem de qualidade para um número maior de pessoas.

    Referências Bibliográficas


    Bozena Pajak, & Bicknell, K. (2022, setembro 30). No Duolingo, humanos e inteligência artificial trabalham juntos para desenvolver um aprendizado de alta qualidade. Duolingo Blog. https://blog.duolingo.com/pt/como-os-especialistas-do-duolingo-trabalham-com-inteligencia-artificial/

    Costa, M. J. M., Filho, J. C. F., & Júnior, J. B. B. (2019). Inteligência Artificial, blended learning, e educação a distância: Contribuições da IA na aprendizagem on-line a distância. TICs & EaD em Foco, 5(1), Art. 1. https://www.uemanet.uema.br/revista/index.php/ticseadfoco/article/view/428

    Crevier, D. (1993). The tumultuous history of the search for artificial intelligence. BasicBooks.

    López, M. C. (2013). Inteligencia artificial [Http://purl.org/dc/dcmitype/Text, Universidad Complutense de Madrid]. Em Inteligencia artificial: Condiciones de posibilidad técnicas y sociales para la creación de máquinas pensantes. https://portalcientifico.uned.es/documentos/5d1df61b29995204f76617a7{\i{}OpenAI}. ([s.d.]). Recuperado 7 de mar\uc0\u231{}o de 2023, de https://openai.com/  

    Quaresma, A. Q. (2018). Inteligências artificiais e os limites da computação. PAAKAT: revista de tecnología y sociedad, 15, 69–84.

    Redação. (2022, agosto 26). Criador do Duolingo revela como construiu um império bilionário. Pequenas Empresas Grandes Negócios. https://revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2022/03/criador-do-duolingo-revela-como-construiu-um-imperio-bilionario.html

    Santana, W. (2023, março 7). OpenAI: Como funciona a empresa criada por Musk e que lançou o ChatGPT. InfoMoney. https://www.infomoney.com.br/negocios/openai-como-funciona-a-empresa-criada-por-musk-e-que-lancou-o-chatgpt/

    Vicari, R. M. (2018, outubro 22). Inteligência Artificial aplicada à Educação – Informática na Educação. https://ieducacao.ceie-br.org/inteligenciaartificial/


    Sobre o Autor: Evaldo Sant Ana de Almeida é graduado em Pedagogia e Filosofia, com mestrado em Tecnologias Educacionais Emergentes. Especialista em Planejamento Educacional e Neuropsicopedagogia, atua como técnico educacional na Universidade Federal de Rondônia. Entusiasta do software livre e das abordagens alternativas na educação.
    Evaldo Sant Ana de Almeida

    <strong>Planejador Educacional Inclusivo</strong> - Metodologia SMART * Taxonomia SOLO * Desenho Universal (DUA)

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