As novas tecnologias da informação e comunicação apresentaram-se ao mundo desafiando limites, até então, impostos pela natureza. Todo artefato fruto do conhecimento que expande ou estende as capacidades naturais do homem nós chamamos ordinariamente de tecnologia. Todavia, os meios que lidam com a informação e a comunicação possuem a capacidade de ampliar a disseminação do próprio conhecimento de forma intencional e não acidental. Claro que podem ser utilizados de forma destrutiva, inclusive, mas estão presentes, são uma realidade que não se pode ignorar e da qual não se pode fugir.
O que é ensinar?
A etimologia não é uma chave mágica que abre as portas do conhecimento, mas acredite, pode ser uma ferramenta útil na descoberta da origem de algumas ideias ou como nós percebemos essas ideias. O tema proposto “Tecnologias emergentes no ensino”, de certa forma nos obriga a consultar os alfarrábios à procura de alguma pista sobre o que estamos falando. Observe que, caso você consulte um dicionário de filosofia ou um manual de psicologia da educação, ou ainda quem sabe um livro sobre as teorias da educação, verá que há muita informação preciosa a ser descoberta. Mas o que queremos nesse momento é fazer um exercício de busca por definições. Então, vamos lá!
Quando falamos de ensino é interessante ter em mente que essa palavra deriva do latim insignare, literalmente, colocar uma marca em algum lugar. Ou seja, a origem latina dessa palavra brasileira nos traz a ideia de que ensinar é marcar, sinalizar. É verdade que essa ideia de marca pode nos fazer pensar em rótulo, marcar alguém como um carimbo. Mas de acordo com as mais recentes visões sobre o tema, é possível visualizar a ideia de indicar, sinalizar, apontar. Ou seja, é possível pensar no ensino como a indicação das marcas deixadas pela sociedade até aqui, sinalizando direções possíveis, mas normalmente pensando em progressão, passo à frente.
Crescimento tutorado
Andando em círculo?

Como essas coisas se encaixam?
Esses equipamentos que vão surgindo, emergindo como resultado do progresso ou avanço do conhecimento humano e sua aplicação, passaram a servir a todos os propósitos. Ora, uma tecnologia nos leva a pensar na expansão ou extensão das capacidades humanas. Seja na força física das máquinas, seja na capacidade de ver o invisível com telescópios ou microscópios, ou ainda enxergar por meio de ondas infravermelhas e uma infinidade de atributos humanos que são elevados à enésima potência. Assim, essas tecnologias, mesmo tendo sido criadas para outros fins, acabam se voltando para o propósito social de formar novas gerações de humanos capazes de fazê-los, melhorá-los, superá-los.
O que, de fato, está emergindo na área das tecnologias?
É difícil e talvez impossível fazer um inventário de todas as tecnologias que estão surgindo neste momento no mundo todo. Há empresas trabalhando em novos produtos, há grupos públicos envolvidos no desenvolvimento de inúmeros novos itens tecnológicos. Algo, entretanto, que deve ser lembrado é que uma tecnologia educacional não é necessariamente um produto novo, ou uma tecnologia totalmente nova e inédita. As tecnologias educacionais são muito mais novas aplicações com propósito de promover o ensino e a aprendizagem do que produtos novos.
Se as tecnologias emergentes são novas aplicações intencionais para a educação, poderíamos pensar no rádio como exemplo. Esse instrumento possibilitou a transmissão da voz humana, decomposta em ondas eletromagnéticas e depois restaurada mecanicamente, a grandes distâncias. Em algum momento alguém percebeu o potencial desse equipamento na transmissão de informações e produção de conhecimento. A escrita, a imprensa, o telégrafo, o rádio, a televisão, todos eles foram avanços técnicos utilizados também na educação. O computador transcendeu esses equipamentos quando possibilitou reunir, de forma otimizada, as capacidades de todos eles. Ou seja, a capacidade de armazenar informações, transmitir a voz e imagens à distância, possibilitar a interação em tempo real com grande número de pessoas a distâncias não imaginadas na antiguidade. Essa capacidade abriu possibilidades ainda não totalmente exploradas a serviço da educação.
Os avanços da neurociência
As teorias sobre como o ser humano aprende, por conseguinte, qual a melhor maneira de ensinar foi impactada com as descobertas da neurociência. Novas tecnologias possibilitaram visualizar, até certo ponto, o cérebro em ação. De modo que atualmente não é possível falar em aprendizagem ou filosofia da mente sem tocar em temas abrangidos por essa área do conhecimento, muito relacionada às novas tecnologias na área da saúde.
Multimídia
Os estilos de aprendizagem, em que pese as discussões a respeito, podem ser contemplados de forma inédita com o uso dos computadores e sua capacidade de trabalhar com meios diversificados de apresentação de conteúdo, seja por áudio, imagem, simulação, atalhos para outros caminhos, e interação através das redes.
Relação de amor e ódio
É verdade que essas tecnologias emergentes são capazes de despertar sentimentos diametralmente opostos. Fala-se dos tecnófilos, ou amantes da tecnologia e dos tecnófobos ou aqueles que temem ou odeiam, mas quem são eles? Bem, há pessoas que veem as novas tecnologias como a solução de todos os problemas, enquanto outros as veem como ameaça e meio de desumanização da humanidade.
Aqueles que veem as tecnologias como a “salvação da lavoura” parecem se esquecer de que no século dezenove houve uma grande expectativa de que o mundo seria melhor face o avanço do conhecimento científico, as grandes invenções e descobertas, mas no início do século XX essas tecnologias foram usadas nas duas Guerras Mundiais, dizimando parte da humanidade. Do outro lado estão aqueles que, temendo os males possíveis por meio das tecnologias, se esquecem, por exemplo, da erradicação de doenças por meio de tratamentos e vacinas, pela própria possibilidade de expressar opinião e tê-la divulgada pelo mundo, por meio desses artefatos. Seja como for, essa polarização existe, assim como existe o equilíbrio.
Equilibrando as coisas
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