quarta-feira, 12 de julho de 2023

O Papel da Inteligência Artificial na Educação: Uma Análise Histórica e Perspectivas Futuras



IA - Uma ponte social?

A Inteligência Artificial (IA) é um campo multidisciplinar que tem despertado grande interesse e vem sendo amplamente discutido nas áreas acadêmicas e tecnológicas. Neste artigo, iremos explorar a conexão entre a IA e a educação, destacando sua relevância social e as possibilidades que essa integração traz para as discussões contemporâneas.

Um Breve Histórico da IA

A história da IA remonta às tentativas de reproduzir artificialmente as redes neurais humanas. Esse campo de pesquisa ganhou impulso na década de 1950, com a conferência de Dartmouth, marcada pela apresentação do primeiro programa de IA. A abordagem cognitivista, que busca replicar as operações associativas entre símbolos na mente humana, foi adotada como o paradigma mais próximo da inteligência humana. Embora os avanços na IA sejam significativos, é importante considerar as limitações técnicas e filosóficas que ainda precisam ser superadas para alcançar uma inteligência comparável à humana.

A Inteligência Artificial na Educação

Os AVAs podem incorporar recursos de gamificação e interfaces interativas, identificando áreas de maior interesse e propondo caminhos mais produtivos para o aprendizado. O planejamento cuidadoso do processo de ensino e o desenvolvimento de recursos adequados são fundamentais para a efetividade da IA na educação. Também tem encontrado aplicações diretas na área da educação, especialmente no contexto da Educação a Distância (EAD). Com o uso de sistemas inteligentes e ferramentas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), a IA contribui para a personalização do ensino e a oferta de atividades de reforço com base na análise de padrões de comportamento dos estudantes.

Perspectivas

Embora haja desafios a serem enfrentados, a IA oferece perspectivas empolgantes para o futuro da educação. À medida que exploramos e aproveitamos o potencial da IA, devemos considerar cuidadosamente sua integração, buscando sempre garantir uma abordagem equilibrada que beneficie a todos os envolvidos no processo educacional. Além das aplicações atuais, existem perspectivas promissoras para a IA na educação. A integração de tecnologias como o Processamento de Linguagem Natural (PLN), a afetividade e as interfaces 3D pode proporcionar uma quebra de paradigma nos ambientes virtuais de aprendizagem. No entanto, essa transformação ainda é um desafio a ser superado.

O Que Temos Agora?


Recentemente, a empresa OpenAI lançou o Chat-GPT, um aplicativo de IA de fácil acesso e uso. Esse avanço tem gerado discussões acaloradas nas redes sociais e mostra o potencial da IA para interações conversacionais diretas. Um exemplo bem-sucedido de integração da IA na educação é a plataforma Duolingo, que utiliza a IA para aprimorar o ensino de idiomas. A plataforma combina o trabalho de especialistas em aprendizagem com recursos de IA para criar cursos interativos e personalizados. Embora seja uma empresa lucrativa, o Duolingo oferece acesso gratuito a milhões de estudantes.
Pois bem, a IA continua sendo um tema instigante, especialmente quando se trata de sua aplicação na educação como um todo. Contudo, é na integração da IA na EAD tem o potencial de melhorar a qualidade e efetividade do ensino, proporcionando oportunidades de aprendizagem de qualidade para um número maior de pessoas.

Referências Bibliográficas


Bozena Pajak, & Bicknell, K. (2022, setembro 30). No Duolingo, humanos e inteligência artificial trabalham juntos para desenvolver um aprendizado de alta qualidade. Duolingo Blog. https://blog.duolingo.com/pt/como-os-especialistas-do-duolingo-trabalham-com-inteligencia-artificial/

Costa, M. J. M., Filho, J. C. F., & Júnior, J. B. B. (2019). Inteligência Artificial, blended learning, e educação a distância: Contribuições da IA na aprendizagem on-line a distância. TICs & EaD em Foco, 5(1), Art. 1. https://www.uemanet.uema.br/revista/index.php/ticseadfoco/article/view/428

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Quaresma, A. Q. (2018). Inteligências artificiais e os limites da computação. PAAKAT: revista de tecnología y sociedad, 15, 69–84.

Redação. (2022, agosto 26). Criador do Duolingo revela como construiu um império bilionário. Pequenas Empresas Grandes Negócios. https://revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2022/03/criador-do-duolingo-revela-como-construiu-um-imperio-bilionario.html

Santana, W. (2023, março 7). OpenAI: Como funciona a empresa criada por Musk e que lançou o ChatGPT. InfoMoney. https://www.infomoney.com.br/negocios/openai-como-funciona-a-empresa-criada-por-musk-e-que-lancou-o-chatgpt/

Vicari, R. M. (2018, outubro 22). Inteligência Artificial aplicada à Educação – Informática na Educação. https://ieducacao.ceie-br.org/inteligenciaartificial/


Sobre o Autor: Evaldo Sant Ana de Almeida é graduado em Pedagogia e Filosofia, com mestrado em Tecnologias Educacionais Emergentes. Especialista em Planejamento Educacional e Neuropsicopedagogia, atua como técnico educacional na Universidade Federal de Rondônia. Entusiasta do software livre e das abordagens alternativas na educação.
Evaldo Sant Ana de Almeida

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Tecnologias emergentes no ensino: o que é e o que esperar disso?

 



As novas tecnologias da informação e comunicação apresentaram-se ao mundo desafiando limites, até então, impostos pela natureza. Todo artefato fruto do conhecimento que expande ou estende as capacidades naturais do homem nós chamamos ordinariamente de tecnologia. Todavia, os meios que lidam com a informação e a comunicação possuem a capacidade de ampliar a disseminação do próprio conhecimento de forma intencional e não acidental. Claro que podem ser utilizados de forma destrutiva, inclusive, mas estão presentes, são uma realidade que não se pode ignorar e da qual não se pode fugir.



O que é ensinar?

Sinais

A etimologia não é uma chave mágica que abre as portas do conhecimento, mas acredite, pode ser uma ferramenta útil na descoberta da origem de algumas ideias ou como nós percebemos essas ideias. O tema proposto “Tecnologias emergentes no ensino”, de certa forma nos obriga a consultar os alfarrábios à procura de alguma pista sobre o que estamos falando. Observe que, caso você consulte um dicionário de filosofia ou um manual de psicologia da educação, ou ainda quem sabe um livro sobre as teorias da educação, verá que há muita informação preciosa a ser descoberta. Mas o que queremos nesse momento é fazer um exercício de busca por definições. Então, vamos lá!


Quando falamos de ensino é interessante ter em mente que essa palavra deriva do latim insignare, literalmente, colocar uma marca em algum lugar. Ou seja, a origem latina dessa palavra brasileira nos traz a ideia de que ensinar é marcar, sinalizar. É verdade que essa ideia de marca pode nos fazer pensar em rótulo, marcar alguém como um carimbo. Mas de acordo com as mais recentes visões sobre o tema, é possível visualizar a ideia de indicar, sinalizar, apontar. Ou seja, é possível pensar no ensino como a indicação das marcas deixadas pela sociedade até aqui, sinalizando direções possíveis, mas normalmente pensando em progressão, passo à frente.


Crescimento tutorado



Pois bem, não dá para falar sobre a ideia de ensino sem abordar o seu resultado esperado, a aprendizagem. Então, de onde nos teria vindo a palavra aprender? O que sabemos sobre sua origem? Uma verificação rápida em um dicionário etimológico ou de latim nos informa que esse termo tem origem nas palavras latinas prae, à frente e hedera, que nos remete à palavra hera, planta trepadeira. Assim, a planta trepadeira se prende, gruda, se agarra às superfícies e seus ramos seguem na direção natural de todas as plantas, ou seja, tendendo para cima. Novamente a ideia de progressão.


Andando em círculo?


Claro que não! Ensinar e aprender, mesmo na acepção mais rasa baseada na origem dessas palavras, deve nos afastar da ideia de indicar o que se deve fazer como modelo estático. Fosse assim não haveria progressão. A ideia de sinalizar parece combinar com a noção de um caminho, do grego hodos, de onde também temos a palavra metodologia ou meta hodos, ou seja, atrás do caminho. Ou melhor ainda, indica o caminho a seguir, uma direção, mas não seu ponto final. É verdade que há repetições, há retomadas. De modo que é como se andássemos em um movimento circular, mas progressivo. Trazendo à mente a imagem de uma escada em espiral. Assim, o ensino não trata de formatar algo pronto e acabado. Da mesma forma que aprender, embora possa falar sobre um “produto”, parece dizer mais sobre um jeito de fazer ou descobrir. 

Ah, sim, para os gregos a tekhne se referia às artes, às obras de um artesão. Diferente do conhecimento teórico, a técnica se referia à aplicação e habilidade de realizar um trabalho. 



Como essas coisas se encaixam?


Bem, hoje quando falamos de tecnologia, parece muito normal trazermos à mente a imagem de algum dispositivo computacional eletrônico, seja um computador desktop, laptop ou um smartphone. Essas coisas não são a tecnologia em si, mas o poder que os computadores possuem de processar dados, manipular múltiplas formas de meios, ou seja, ser multimídia, criar grupos de interação à distância através da capacidade de atuar em redes, tudo isso nos leva a olhar essas máquinas como elementos representativos da tecnologia moderna.


Esses equipamentos que vão surgindo, emergindo como resultado do progresso ou avanço do conhecimento humano e sua aplicação, passaram a servir a todos os propósitos. Ora, uma tecnologia nos leva a pensar na expansão ou extensão das capacidades humanas. Seja na força física das máquinas, seja na capacidade de ver o invisível com telescópios ou microscópios, ou ainda enxergar por meio de ondas infravermelhas e uma infinidade de atributos humanos que são elevados à enésima potência. Assim, essas tecnologias, mesmo tendo sido criadas para outros fins, acabam se voltando para o propósito social de formar novas gerações de humanos capazes de fazê-los, melhorá-los, superá-los.


O que, de fato, está emergindo na área das tecnologias?

É difícil e talvez impossível fazer um inventário de todas as tecnologias que estão surgindo neste momento no mundo todo. Há empresas trabalhando em novos produtos, há grupos públicos envolvidos no desenvolvimento de inúmeros novos itens tecnológicos. Algo, entretanto, que deve ser lembrado é que uma tecnologia educacional não é necessariamente um produto novo, ou uma tecnologia totalmente nova e inédita. As tecnologias educacionais são muito mais novas aplicações com propósito de promover o ensino e a aprendizagem do que produtos novos. 


Se as tecnologias emergentes são novas aplicações intencionais para a educação, poderíamos pensar no rádio como exemplo. Esse instrumento possibilitou a transmissão da voz humana, decomposta em ondas eletromagnéticas e depois restaurada mecanicamente, a grandes distâncias. Em algum momento alguém percebeu o potencial desse equipamento na transmissão de informações e produção de conhecimento. A escrita, a imprensa, o telégrafo, o rádio, a televisão, todos eles foram avanços técnicos utilizados também na educação. O computador transcendeu esses equipamentos quando possibilitou reunir, de forma otimizada, as capacidades de todos eles. Ou seja, a capacidade de armazenar informações, transmitir a voz e imagens à distância, possibilitar a interação em tempo real com grande número de pessoas a distâncias não imaginadas na antiguidade. Essa capacidade abriu possibilidades ainda não totalmente exploradas a serviço da educação.


Os avanços da neurociência

As teorias sobre como o ser humano aprende, por conseguinte, qual a melhor maneira de ensinar foi impactada com as descobertas da neurociência. Novas tecnologias possibilitaram visualizar, até certo ponto, o cérebro em ação. De modo que atualmente não é possível falar em aprendizagem ou filosofia da mente sem tocar em temas abrangidos por essa área do conhecimento, muito relacionada às novas tecnologias na área da saúde.


Multimídia

Os estilos de aprendizagem, em que pese as discussões a respeito, podem ser contemplados de forma inédita com o uso dos computadores e sua capacidade de trabalhar com meios diversificados de apresentação de conteúdo, seja por áudio, imagem, simulação, atalhos para outros caminhos, e interação através das redes.


Relação de amor e ódio

É verdade que essas tecnologias emergentes são capazes de despertar sentimentos diametralmente opostos. Fala-se dos tecnófilos, ou amantes da tecnologia e dos tecnófobos ou aqueles que temem ou odeiam, mas quem são eles?  Bem, há pessoas que veem as novas tecnologias como a solução de todos os problemas, enquanto outros as veem como ameaça e meio de desumanização da humanidade.


Aqueles que veem as tecnologias como a “salvação da lavoura” parecem se esquecer de que no século dezenove houve uma grande expectativa de que o mundo seria melhor face o avanço do conhecimento científico, as grandes invenções e descobertas, mas no início do século XX essas tecnologias foram usadas nas duas Guerras Mundiais, dizimando parte da humanidade. Do outro lado estão aqueles que, temendo os males possíveis por meio das tecnologias, se esquecem, por exemplo, da erradicação de doenças por meio de tratamentos e vacinas, pela própria possibilidade de expressar opinião e tê-la divulgada pelo mundo, por meio desses artefatos. Seja como for, essa polarização existe, assim como existe o equilíbrio.


Equilibrando as coisas


Aparentemente, nem o amor nem o ódio são o melhor caminho para se lidar com as tecnologias. Se pensarmos na tecnologia como instrumento, então poderemos ter uma postura mais saudável e equilibrada. Ora, esses artefatos, produtos do conhecimento humano, não são nem bons nem maus em si mesmos. É claro que há instrumentos criados com propósitos de dominação, de controle, de destruição, embora seu uso em benefício da vida humana seja possível. Por outro lado, mesmo que uma intenção seja salutar na criação, isso não significa que sua utilização por todas as pessoas será para o bem. Daí torna-se necessário desenvolver uma visão crítica, julgadora, que analise profundamente essas criações e a própria tecnologia como um todo. Afinal, são as intenções que podem ser boas ou más, as tecnologias são apenas instrumentos. Diante disso é importante ponderar sobre as seguintes questões: Como você se relaciona com esses produtos tecnológicos? Você já utilizou ou está utilizando algum equipamento desses intencionalmente para aquisição ou construção do conhecimento? Sente-se responsável pela forma que utiliza esses artefatos? Sua resposta pode ser um indício da resposta ao título do texto.

* As imagens utilizadas estão sob a pixabay license

Referências Bibliográficas

Aldo Ferreres, & Abusamra, V. (2016). Neurociencia y educación (1º ed). Buenos Aires: Paidós.

Cardoso, Carlos. 2001. “Os desafios da diversidade e das novas tecnologias”. Recuperado 29 de novembro de 2021 (https://www.apagina.pt/?aba=7&mid=2&cat=107&doc=8565).

Cosenza, R. N., & Guerra, L. B. ([s.d.]). Neurociência e educação.

Demo, P. (2001). Conhecimento e aprendizagem na nova mídia. Brasília: Editora Plano.

Ferreira, António G.. 1966. Dicionário de latim-português. Porto Editora.

Fronza, Katia R. K.. 2015. “Nem tecnofilia, nem tecnofobia: existe um ponto de equilíbrio?” 4. Recuperado 10 de janeiro de 2022  (http://www.necso.ufrj.br/vi_esocite_br-tecsoc/aglomerados/1442021567_ARQUIVO_KatiaFronzaNemtecnofilianemtecnofobia.pdf)

Libâneo, J. C. (2004). Adeus professor, adeus professora?: Novas exigências educacionais e profissão docente (8º ed). São Paulo: Cortez.

Nascentes, Antenor. 1955. Dicionário etimológico da língua portuguêsa. Rio de Janeiro.

Urbina, J. M. P. de. (2012). Diccionario manual griego clásico-español (25º ed). Espanha: Vox.


Sobre o Autor: Evaldo Sant Ana de Almeida é graduado em Pedagogia e Filosofia, com mestrado em Tecnologias Educacionais Emergentes. Especialista em Planejamento Educacional e Neuropsicopedagogia, atua como técnico educacional na Universidade Federal de Rondônia. Entusiasta do software livre e das abordagens alternativas na educação.


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